Portugal



Localizado na costa oeste da Península Ibérica, Portugal é o país mais ocidental da Europa continental. O seu território faz fronteira com Espanha a norte e a este e é banhado pelo oceano Atlântico a oeste e a sul. Para além do território continental, fazem igualmente parte de Portugal os arquipélagos dos Açores e da Madeira, com o estatuto de regiões autónomas.


Capital: Lisboa

Superficie: 92 211,9 km2 ² ;

Popula‹o: 10 427 301 habitantes (2014)



Douro



O Douro é uma sub região estatística portuguesa, parte da Região Norte, integrando partes do Distrito de Bragana, Distrito de Vila Real, Distrito de Viseu e Distrito da Guarda. Limita a norte com o Alto Trás-os-Montes, a leste com a Espanha, a sul com a Beira Interior Norte e o Dão-Lafões e a oeste com o Tâmega. Tem uma área de 4112 km² e uma popularção de 205 902 habitantes (censos de 2011 ).



História do Vinho



As raízes dos vinhos durienses são hoje milenares, tendo estes evoluído constantemente até se tornarem nesta bebida que faz flamejar qualquer coração. Beber um vinho do Porto ou do Douro é beber da própria história da região, onde nunca houve rei tão magnânimo como o vinho.

Os primeiros vestígios que indicam a existência de videiras na região, remontam a Idade do Bronze, há cerca de três mil anos.

A importância do vinho perpetua-se durante a passagem dos Suevos, Visigodos e Muçulmanos. Um vasto número de cartas de forais que foram atribuídas a várias povoações da região, durante os séculos XI e XII, depois do nascimento do reino de Portugal em 5 de outubro de 1143, evidenciam a grande vocação vinhateira da região.

Durante o século XIII, o Porto servia de escoamento aos vinhos durienses, ao estabelecer ligação com os mercados internacionais. Os vinhos eram levados até à Cidade Invicta, nos barcos rabelos, através do rio Douro. A exportação dos vinhos durienses começa a ganhar elevada importância durante o reinado de D. Fernando (1345-1383), no século XIV, uma vez que as principais receitas do Estado eram obtidas através dos impostos sobre a exportação. Durante o reinado de D. Manuel I (1469-1521) houve profundas alterações, devido às grandes quantidades de vinho necessárias para as expedições marítimas. O monarca ordenou que os canais de pesca no rio Douro fossem demolidos, para facilitar a navegação entre São João da Pesqueira e o Porto, tendo o fluxo da circulação fluvial aumentado consideravelmente. A exportação dos vinhos durienses começa a ganhar elevada importância, durante o reinado de D. Fernando, no século XIV, uma vez que as principais receitas do Estado eram obtidas através dos impostos sobre a exportação.

A primeira referncia ao vinho do Porto deu-se em 1675 e foi proferida pelo diplomata Duarte Ribeiro de Macedo (1618-1680), durante o Discurso sobre a Introdução das Artes no Reino, referindo-se ao vinho exportado para a Holanda. França começou por ser o principal comprador dos vinhos portugueses, mas foi com o Reino Unido que estes adquiriram maior importância.

Em 1703, Portugal e o Reino Unido assinam o Tratado de Methuen, também referido como Tratado de Panos e Vinhos, que concede direitos preferenciais aos ingleses na compra dos vinhos portugueses, com a contrapartida de permitir a entrada livre de tecidos britânicos no mercado português. Com este tratado e com o grande apreço destes vinhos pelos ingleses, a região viu a sua produção intensificada, tentando dar resposta à elevada procura.

A Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (1756-1960) surge em 1756, para dar resposta às mesmas relações entre produtores, comerciantes portugueses e negociantes estrangeiros, além de tentar arrancar os vinhos da região do controlo dos mercadores ingleses. Esta associação, criada pelo Marquês de Pombal, obtém a venda exclusiva do vinho do Porto, em 1807.

O Alto Douro Vinhateiro foi a primeira região vitícola regulamentada do mundo, tendo sido demarcada entre 1757 e 1761, através de grandes marcos de granito, com a palavra "Feitoria" e a respetiva data. Esta região viria a ser alargada por D. Maria I (1734-1816), entre 1788 e 1793, chegando à fronteira Espanhola, em 1907, durante o governo de João Franco (1855-1929).

Em 1844 é criado um mapa da região demarcada, no qual constam as quintas proeminentes daquela época. O autor desta obra, Joseph James Forrester (1809-1861), mais conhecido por Barão de Forester, foi um dos grandes pioneiros da indústria do vinho do Porto. Dedicou toda a sua vida ao Douro e foi nas suas águas que acabou por padecer, durante um naufrágio no Cachão da Valeira, em São João da Pesqueira.

Durante o Estado Novo, criaram-se a Casa do Douro, o Grémio dos Exportadores do Vinho do Porto e o Instituto dos Vinhos do Porto e do Douro. Após o regime totalitário foi criada a Associação de Produtores e Engarrafadores de Vinhos do Porto e do Douro, em 1986, com o intuito de permitir a entrada destes, na comercialização direta do vinho, feita a partir das quintas do Douro e em nome dos respetivos produtores.

A paisagem atual das encostas do Douro começou a ser criada na década de 70, com a aplicação de novas técnicas de plantio da vinha em patamares, com muros de xisto a delimitar cada nível.

Os vinhos produzidos no Douro percorreram um longo caminho, tendo já vencidos vários prémios, não só o vinho do Porto, como também os vinhos de mesa, que foram destacados como os melhores vinhos do mundo.

Património Mundial



Em Dezembro de 2001, a UNESCO elevou o Alto Douro Vinhateiro a Património da Humanidade. Um título, atribuído por unanimidade, que premiou a Região vinícola demarcada mais antiga do mundo, decretada pelo Marquês de Pombal, em 1756. Região única por reunir as virtudes do solo xistoso e da sua exposição solar privilegiada com as características ímpares do seu microclima em conjunto com o trabalho árduo do homem do Douro.

A sua Paisagem evidencia três aspetos principais: o caráter único do território, a relação natural da cultura do vinho com a oliveira e a amendoeira e a diversidade da arquitetura local. Para além destes aspetos, a candidatura destacou o trabalho notável realizado pelo homem na constoução de muros em xisto que prolongam as encostas e, sobretudo, a autenticidade e integridade da paisagem cultural.

A Região Demarcada do Douro, onde se produzem os vinhos correspondentes às denominações de origem "Porto" e "Douro", abrange 250 mil hectares, dos quais 48 mil são ocupados por vinha, e dela fazem parte 22 municípios. No entanto, apenas 24 mil hectares, ou seja, um décimo dessa área, que engloba treze concelhos, foi classificado pela UNESCO como Património Mundial. Contudo, a zona classificada é representativa da diversidade do Douro, uma vez que inclui espao do Baixo Corgo, do Cima Corgo e do Douro Superior.

O território do Alto Douro Vinhateiro, área classificada, integra o vale do rio Douro, que já é considerado Património Mundial nos seus extremos, nomeadamente o Porto, e no lado oposto o Parque Arqueológico do Côa. Os treze concelhos que fazem parte da zona distinguida pela UNESCO são Alijó, Armamar, Carrazeda de Ansiães, Lamego, Mesão Frio, Peso da Régua, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, São João da Pesqueira, Tabuaço, Torre de Moncorvo, Vila Nova de Foz Côa e Vila Real, estendendo-se ao longo das encostas do rio Douro e dos seus afluentes, Varosa, Corgo, Távora, Torto e Pinhão.

A classificação do Douro como paisagem cultural, viva e evolutiva, veio dar o seu contributo e impulso para uma série de alterações que estavam já a acontecer na região duriense. Intensificou-se o tráfego fluvial de barcos de cruzeiro para turistas; inúmeras quintas tradicionais aderiram à filosofia da Rota do Vinho do Porto, abrindo as portas aos visitantes, promovendo visitas, provas de vinhos e realização de eventos. Foi com orgulho, mas igualmente com sentido de responsabilidade redobrada que o Vale do Douro celebrou, em 2006, com inúmeras manifestações culturais, a passagem dos seus 250 anos como Região Demarcada.

Paisagem Vinhateira



O Douro é uma região intrinsecamente ligada à produção dos seus vinhos. Como tal, a paisagem encontra-se esculpida em prol do vinho, assim como hábitos da região são moldados segundo a sua produção. Os socalcos, a imensidão de videiras e o rio Douro são os principais constituintes de uma vista tão ímpar.

No Alto Douro Vinhateiro a paisagem é marcada pelos socalcos, que moldam a face dos montes, pairando sobre o rio cristalino. As águas espelham os imensos vinhedos, mudando de cor a cada estação. Os seus matizes vão desde o verde aos castanhos dourados, passando pelos tons laranjas e vermelhos. Por entre as folhas sobressaem as uvas brancas ou tintas, mais ou menos escuras, consoante a casta. Os cachos bem preenchidos e coloridos são dignos de qualquer mesa, apesar de grande parte deles estarem destinados à produção dos vinhos.

No mês de setembro as encostas do Douro enchem-se de pessoas que ali se dirigem para vindimar os montes, por forma a obter do fruto mágico o vinho do Porto e os vinhos de mesa.

A paisagem do Douro demonstra a sua ligação profunda e milenar à cultura do vinho, proporcionando um quadro onde o Homem e a Natureza trabalham lado a lado, em busca de uma bebida perfeita.

Vinhos da Região



Os vinhos durienses são já reconhecidos mundialmente, não só o Porto, como também os vinhos de mesa, que são cada vez mais apreciados. No Douro, a panóplia de vinhos é extensa, existindo sempre uma correspondência aos gostos pessoais de cada um.

Estes, dividem-se em três grandes categorias: os vinhos Tintos, os Brancos e os Rosados. Os Tintos jovens, consumidos nos primeiros anos após as vindimas, distinguem-se pela cor rubi e pelo aroma frutado. Devem ser servidos entre os 13 e os 15 ºC, acompanhando refeições ligeiras à base de carne ou massas. Já os Tintos de guarda, assinalados no rótulo como “Reserva” ou “Grande Reserva”, têm uma cor e um aroma mais intensos. São servidos entre os 16 e os 18 ºC, acompanhando pratos de carne vermelha, com condimentos fortes, ou pratos de carne de caça, no caso de serem envelhecidos.

Os vinhos Brancos são a bebida ideal para acompanhar pratos de peixe. Resultam de castas como a Malvasia Fina, o Viosinho, o Gouveio e o Rabigato. Os mais jovens, consumidos a temperaturas entre os 8 e os 10 ºC, são vinhos refrescantes, com cores claras e aromas frutados. Os Brancos de guarda apresentam uma cor mais dourada e aromas mais torrados, adquiridos pelo tempo de fermentação em madeira. Devem ser servidos a cerca de 12 ºC, acompanhando peixes mais gordos, como o salmão e o bacalhau, ou carnes brancas como o frango e o coelho. Tal como os Tintos de guarda, também são assinalados no rótulo com a designação “Reserva” ou “Grande Reserva”.

Os vinhos rosados são recentes na produção duriense, existindo, portanto, em menor número. Tal como o nome o indica são vinhos com cores rosadas, com aromas frutados, misturando a doçura com a acidez. Devem ser consumidos um a dois anos após a colheita, a temperaturas entre os 10 e 12 ºC. Acompanham bem refeições ligeiras, ou simplesmente como aperitivo.

Gastronomia

Gastronomia



Terras de planaltos xistosos e de encostas graníticas por onde serpenteiam correntes de águas límpidas, a Região do Douro é um paraíso de caça do monte e de peixes do rio. A sua famosa gastronomia típica é uma centelha de boa e variada comida.

Carne

Existe uma imensidão de pratos de carne, sendo estes os principais: cabrito assado no forno de lenha, acompanhado com arroz e batatas; javali estufado; posta mirandesa; cozido à portuguesa; perdiz assada no espeto; arroz de cabidela; feijoada à transmontana e lebre ou coelho bravo com míscaros.

Peixe

O peixe da região é pescado no rio Douro e nos seus afluentes, sendo comido em escabeche ou frito. O bacalhau também é muito utilizado como alternativa aos pratos de carne.

Doces

A doçaria regional faz-nos esquecer qualquer dieta ou recomendação do médico. Os doces conventuais como os peixinhos de chila ou o biscoito da Teixeira são famosos na região. O Pão de Ló e o Bolo Rei são abundantes, principalmente nas épocas festivas. O arroz doce e a aletria também são especialidades na região.

Acompanhamentos

O pão tradicional acompanha qualquer refeição, podendo ser recheado com carne ou elaborado à base de azeite. Pode ser barrado com mel regional ou compotas caseiras. Os queijos artesanais e o fumeiro regional comem-se a qualquer hora do dia, simples ou com um pouco de pão.

Frutos

Existe uma grande variedade de frutos na região, colhidos em várias alturas do ano. As cerejas, as amêndoas e as maçãs são abundantes. Nos meses mais frios comem-se castanhas assadas, nozes, dióspiros e tangerinas. A azeitona e a uva são os principais frutos da região, embora sejam mais utilizados para confecionar azeite e vinho, respetivamente, do que para consumo direto.

Temperos

O azeite é utilizado na maioria das refeições, seja na sua confeção ou após cozinhadas, como molho. Qualquer prato é temperado com sal, embora este possa ser substituído por ervas aromáticas, que abundam na região. O alecrim, a salsa e o loureiro são as ervas mais utilizadas, principalmente na confecção de carnes.

Bebidas

Antes de iniciar a refeição, nada melhor do que um cálice de vinho do Porto ou Moscatel para abrir o apetite, servido como aperitivo, ao contrário dos vinhos de mesa, que acompanham o prato principal. Os licores produzidos na região, que resultam de uma mistura entre aguardente fina e frutos como o medronho, a amora ou a cereja, servem como digestivo, substituindo o internacional scotch. Para os não apreciadores de bebidas alcoólicas os sumos naturais são sempre um regalo, assim como os chás de ervas aromáticas. No Douro existem muitas nascentes de onde brota água potável, fresca e cristalina.

Património Monumental



Região de tesouros e jóias do património nacional, o Douro concentra em si ¼ de todo o património construído da Região Norte.

Perto dos cursos de água dos seus afluentes ou na proximidade das suas margens, povos pré-históricos, romanos, mouros e cristãos edificaram capelas de origem bárbara, pontes, calçadas e castelos medievais, mosteiros, igrejas de traça românica, renascentista ou barroca, casas senhoriais de brasão e nome em aldeias, vilas e cidades, hoje guardiãs de autênticos tesouros da sua história. Aqui cruzaram-se no passado os pergaminhos dos seus forais e as lendas da fundação da nacionalidade, como a cura milagrosa em Cárquere de D. Afonso Henriques, pai da pátria ou as narrativas romanceadas das Cortes de Lamego, na Igreja de Almacave.

Por todo o lado, solares, casas de quinta e testemunhos de povos errantes e de culturas diversas marcam de forma indelével a paisagem.